Grécia: Condições desumanas nos centros de detenção de imigrantes

Mais de 60% dos problemas médicos dos imigrantes nos centros de detenção da região fronteiriça de Evros devem-se às precárias condições das ditas instalações. Apesar das medidas do governo grego e dos fundos da União Europeia, a situação não tem melhorado, pessoas foram diagnosticadas com infecções respiratórias, dores corporais, diarreias, problemas gastrointestinais, transtornos psicológicos e doenças cutâneas. “A maioria dos imigrantes que tratámos não estava doente quando chegaram às infra-estruturas de detenção. Adoeceram durante o seu encerramento nas celas abarrotadas, sem ventilação adequada, com problemas de água e saneamento, alimentação de baixa qualidade e sem possibilidade de passar tempo ao ar livre”, explica Ioanna Pertsinidou, coordenadora de um projecto de atenção aos imigrantes na Grécia.

Durante os primeiros dois meses de 2011, pelo menos 22 pessoas perderam a vida ao tentar cruzar a fronteira entre a Turquia e a Grécia, na região de Evros.

Durante o seu trabalho, os centros de detenção para imigrantes e solicitantes de asilo em Evros, encontrou evidências que provam que os imigrantes que entram na Grécia acarretam um risco de saúde pública para a sociedade, tal como declarou o Ministro da Saúde Grego. Por outro lado, pensa-se que seja as desumanas condições de vida e higiene desta infra-estrutura de detenção – onde alguns imigrantes permanecem confinados até seis meses – que provocam um deteriora importante no seu estado de saúde física e mental. Estas condições de detenção aumentam de forma considerável o risco de surtos de doenças transmissíveis, como também explica uma informação publicada em Maio de 2011 pelo Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças e a Organização Mundial de Saúde.

Umas Melhoras que não chegam.

É fundamental assegurar que os imigrantes recebam uma boa assistência médica e psicológica, que se leve a cabo rastreios médicos a todos os recém-chegados e que se faça a tempo referência de nível secundário de saúde e seguimento de doenças crónicas. O Ministério de Saúde e a Protecção Cidadã deveriam assegurar a coordenação entre os actores implicados a nível local, nacional e da União Europeia, e optimizar o uso oportuno dos fundos e recursos disponíveis.