População na Costa do Marfim persiste com falta de Assistência Médica

A violência pós-eleições intensificou o clima de tensão e rivalidade entre municípios e territórios rivais da região oeste. A população continua vivendo sob o terror de milícias e ataques de represália, em especial, nas áreas de floresta nas proximidades da fronteira com a Libéria.

A emergência médico-humanitária na Costa do Marfim persiste em vários bairros de Abidjan. A segurança no oeste do país contínua crítica e instável. Com medo, a população se esconde no meio do mato, sem acesso a comida, água ou ajuda médica. A organização internacional médico-humanitária Paramédicos de Catástrofe Internacional –PCI está profundamente preocupada com as vidas e a saúde dos civis, que com medo não procuram atendimento médico especializado.

Essas pessoas, bem como aquelas deslocadas pelo conflito, ainda estão aterrorizadas, então elas esperam até que seu estado de saúde chegue a um estado crítico porque têm medo de retornar às suas casas. Aldeias saqueadas e destruídas permanecem desertas. Há vários corpos incendiados ao longo da rodovia entre as cidades de Guiglo e Toulepleu, pessoas que foram feridas há duas ou três semanas, mas que não se atreveram a sair de seus esconderijos para procurar ajuda médica.

Do outro lado da fronteira, na Libéria, os refugiados recém chegados, incluindo crianças que foram feridas há duas ou três semanas. Elas contaram aos membros das Organizações Humanitárias que sofreram violências traumáticas na floresta na Costa do Marfim, seguidas de ataques envolvendo intimidação, sequestro, estupro e queima de pessoas vivas. Mesmo após cruzar a fronteira com a Libéria, os refugiados não têm garantia de segurança, já que as milícias atravessam a fronteira da Costa do Marfim durante a noite, ameaçando, batendo e exigindo comida. Não se sabe quantas pessoas continuam com medo escondidas no mato, ou a qual o nível de violência eles estão sendo expostos, mas as histórias horríveis de terror que temos ouvido dessas pessoas são motivos de preocupação.

As condições de vida das pessoas deslocadas na Costa do Marfim são cada vez mais preocupantes. Muitos estão vivendo sem abrigo e os acampamentos estão superlotados. Além disso, há o risco crescente de surtos de sarampo, meningite e diarreia aquosa. Casos isolados já estão aparecendo.