População deslocada em regiões da fronteira precisa de mais assistência médica

A situação na Costa do Marfim continua volátil, após os graves conflitos que desolaram o país por vários meses. Semanas após o começo da diminuição da violência, muitas comunidades continuam desertas na região oeste. Muitas pessoas escondem-se na mata, outras continuam deslocadas ficando em acampamentos ou vivendo como refugiados na Libéria. O atendimento a essas pessoas, no entanto, não é suficiente para suprir todas as necessidades na região da fronteira entre a Costa do Marfim e a Libéria.

Muitas pessoas deslocadas foram vítimas de tipos brutais de violência ou testemunharam mutilações, pessoas a ser queimadas ou assassinadas. Algumas conheciam os seus agressores, e temem que eles possam estar próximos das suas casas. As pessoas dizem-nos que não conseguem comer ou dormir e que sofrem de ansiedade e palpitações cardíacas. Amedrontadas com o possível aumento da violência ou ataques por vingança, muitos preferem continuar a esconder-se ou continuar como refugiados. Outros simplesmente não têm para onde voltar, já que as suas casas foram queimadas e as suas plantações destruídas.

Muitas agências de ajuda humanitária estão presentes no oeste do país, mas a maioria delas ainda restringe as suas actividades a cidades grandes ou acampamentos de deslocados. Como resultado disso, as pessoas que se estão a esconder na mata, próximas da fronteira, especialmente entre as áreas de Blolequin e Toulepleu, não têm acesso à assistência vital, como alimentação, abrigo ou cuidados médicos.

Estima-se que mais de 100 mil marfinenses tenham procurado refúgio na Libéria. Um número pequeno de pessoas continua a atravessar a fronteira todas as semanas. A grande maioria dos refugiados está espalhada em aldeias da Libéria próximas à fronteira, área esta em que a falta de alimentos é constante. Fortes chuvas, estradas precárias e pontes partidas são obstáculos à ajuda adequada a esta população dispersa.

Conforme a fome cresce, refugiados na Libéria correm o risco de não receberem a assistência que precisam, a menos que se desloquem para outras áreas específicas. Na Costa do Marfim, as pessoas precisam de viajar até comunidades onde não se sentem seguras, atrás de comida ou medicamentos. É fundamental que a resposta médica vá ao encontro dessas pessoas em locais onde elas se sintam seguras.
A estação das chuvas causou um aumento dos casos da malária, tanto na Costa do Marfim quanto na Libéria. Mais de um terço das consultas realizadas são casos de malária. Uma em cada dez consultas com os refugiados do condado de Nimba é por dores generalizadas no corpo, o que é prova das duras condições de vida no local e das consequências físicas de traumas psicológicos.

Os PCI estão em contactos com o país, a fim de contribuir com envio de Ajuda Humanitária de Emergência para a região, no que diz respeito a assistência Médica e Medicamentosa.

Fontes: BBC

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Bruno Ferreira