Líbia – Emergência Humanitária

Frentes de batalha retrocederam para fora da cidade, mas bombardeios nas proximidades continuam a fazer feridos

Explosões e tiros de metralhadora foram ouvidos este domingo na cidade Líbia de Misrata, apesar de alegações por parte do governo de que o Exército teria suspendido as suas operações no local, que está sob o controle de insurgentes.

A principal base dos rebeldes no oeste da Líbia, a cidade portuária de Misrata tem sido fortemente atacada pelas forças do regime do coronel Muamar Kadafi há semanas.

Instituições de ajuda voluntária afirmam que a cidade enfrenta uma crise humanitária. Grupos de direitos humanos estimam que mais de mil pessoas já tenham morrido nos combates. O vice-chanceler Líbio, Khaled Kaim, afirmou que as tropas do governo não se retiraram da cidade, e sim suspenderam as operações na região para dar aos líderes tribais locais a hipótese de negociar com os rebeldes. Mesmo assim, testemunhas relatam que tiros e explosões de foguetes são ouvidos constatemente na cidade.

Os feridos foram levados para o hospital de Al Hikma, especializado em trauma, ou para o hospital de Abbad. Os meses de cerco deixaram um rastro enorme de destruição, incluindo uma farmácia central que é agora uma pilha de escombros. No entanto, a cidade ainda tem instalações médicas e infra-estrutura. Existem algumas necessidades médicas bastante específicas – por exemplo, o sistema de encaminhamento de pacientes não é bem organizado, e os feridos são frequentemente transferidos para o hospital em carros civis, sem assistência médica adequada.

No dia 10 de Junho, conflitos violentos a oeste da cidade feriram 250 pessoas, das quais 61 sofreram graves ferimentos, pacientes feridos que haviam sido estabilizados no posto de Dafnya foram transferidos directamente para o hospital de Kas Ahmed onde existe falta de profissionais de enfermagem pois a maioria dos enfermeiros, eram formados por estrangeiros, vindos principalmente das Filipinas, Paquistão e Egipto, que fugiram do país quando a guerra começou. Estes são agora substituídos por estudantes de medicina voluntários depois de receber formação básica de enfermagem.

Após um cerco de quase três meses, os conflitos no centro de Misrata (oeste da Líbia) acabaram. A frente de batalha retrocedeu para fora dos limites da cidade. No entanto, ainda que a situação tenha mudado os bombardeios continuam próximos e fazem muitas vítimas.

PCI esta atenta ao evoluir da situação e em contactos de permanência com o país, a fim de qualquer momento enviar uma equipa Médica Humanitária para a região.

Fonte: Publico