Crise humanitária subsiste no Sudão e no Chade

A deterioração da crise alimentar no Sul do Sudão poderia transformar-se numa catástrofe humanitária, se a comunidade internacional não disponibilizar os fundos necessários para permitir que os organismos da ONU e as ONG reforcem a sua ajuda à região. Foi esta a conclusão que o Secretário-Geral adjunto para os assuntos humanitários retirou da sua visita ao Sudão e ao Chade.

“Estamos perante uma deterioração da situação humanitária no Sul do Sudão, com 40% da população da região numa situação de crise alimentar grave ou moderada”, afirmou numa conferência de imprensa, na Sede das Nações Unidas em Nova Iorque.

Para John Holmes, o problema deve-se essencialmente a uma sucessão de períodos caracterizados por fraca precipitação, agravada por um aumento da violência étnica, que causou 700 mortes e 90 000 deslocados.

“Os ataques dos rebeldes do exército de libertação do senhor (LRA), em particular no Sul do Sudão, complicaram a crise humanitária”, explicou.

Na véspera, o Secretário-Geral adjunto informara o conselho de segurança da situação, sublinhando que apenas 26% dos 730 milhões de dólares solicitados para financiar as operações humanitárias na região haviam sido recebidos, o que comprometia seriamente a continuação das operações de ajuda.

No que se refere à situaçao no Darfur, John Holmes lamentou que poucas coisas tivessem realmente mudado na frente humanitária. “Os esforços de paz não produziram fruto e os combates nas diferentes partes desta região prosseguem, causando novas deslocações de populações”, explicou, acrescentando que o banditismo e o acesso difícil a certos refugiados entravam o trabalho humanitário no Darfur.

Sobre o Chade, disse que se está a desenhar uma crise humanitária no oeste do país, onde a falta de precipitação, no ano passado, se traduziu em más colheitas, problemas de malnutrição e falta de alimentos para o gado.

No Leste do país, não se registaram alterações significativas. Ali continuam a viver 260 000 pessoas procedentes do Darfur e 171 000 deslocados chadianos que fugiram dos combates e confrontos étnicos.

A terminar, John Holmes declarou que a situação no Sudão “não melhorará num futuro próximo, podendo mesmo vir a piorar no Sul, se as chuvas forem fracas também este ano e se a incerteza política se mantiver”. “Quanto ao Darfur, a única solução é um verdadeiro cessar-fogo e uma solução política duradoura”.

“Nas duas regiões, paralelamente à ajuda humanitária, há uma necessidade urgente de ajudar as pessoas a tomarem mais nas suas mãos o seu futuro e os seus meios de vida, assim que a situação política o permitir”

O chefe humanitário das Nações Unidas pediu para que doadores respondam com urgência ao apelo de fundos para ajudar as milhões de pessoas que estão sofrendo com grave escassez de alimentos na Nigéria, em virtude da seca prolongada e da quebra de safra em Sahel, região árida.

Fonte: ONU