Crise Humanitária no Dadaab – Quénia


Taxas alarmantes de desnutrição entre os refugiados somalis.


As crianças que chegam a um dos cinco postos de saúde no campo de refugiados de Dadaab, no Quénia, são examinadas pela equipa médica para averiguar o seu estado nutricional

Dia após dia, milhares de pessoas fugindo do conflito na Somália continuam a chegar ao acampamento sobrelotado. A região toda está a sofrer de uma grave seca, após duas estações de chuvas que não vieram. Ao chegarem exaustos ao acampamento, após dias ou semanas de viagem, os refugiados estão a receber assistência inadequada.

O complexo de Dadaab é formado pelos acampamentos de Ifo, Hagadera e Dagahaley. É o maior campo de refugiados do mundo, e agora está cheio. Os recém-chegados são obrigados a instalar-se em abrigos precários nos arredores do acampamento. Apesar de se ter pedido repetidamente por soluções para o problema da sobrelotação do acampamento, nenhuma resposta foi dada. O número de pessoas nesses acampamentos está a chegar aos 400 mil, apesar de ter sido construído para abrigar 90 mil pessoas.

O número de novas chegadas aumenta a cada mês, com uma média de 500 novas pessoas a chegar por dia. Cerca de 25 mil pessoas estão a viver do lado de fora das fronteiras do acampamento, e esse número deve crescer ainda mais.

Desde o começo de Junho, um novo centro de recepção em Dagahaley, gerenciado pelas autoridades quenianas e pela Agência de Refugiados das Nações Unidas, foi aberto, com o propósito de aumentar a oferta de cuidados médicos aos recém-chegados. Com a avaliação nutricional sistemática das crianças com menos de cinco anos – usando como método, o parâmetro a circunferência do antebraço superior (MUAC, na sigla em inglês), taxas de desnutrição alarmantes foram encontradas. Isso levou a uma avaliação nutricional na região em meados de Junho. Os resultados foram piores do que imaginámos.

A mistura de calor extremo, falta de água e saneamento, atrasos nos registos dos recém-chegados e na provisão de alimentos resultaram em grandes dificuldades nas condições de vida dos sobreviventes. Durante uma rápida avaliação nutricional de três dias em meados de Junho, cerca de 500 crianças entre seis meses e cinco anos de idade foram medidas e pesadas. Mais de 37% delas estava a sofrer de desnutrição aguda, e, desses, 17,5% estavam seriamente afectados e corriam risco de vida. Crianças com até 10 anos de idade também apresentaram taxas elevadas de desnutrição.

Ajuda humanitária é muito lenta

A demora na oferta de ajuda humanitária também é problemática. Os refugiados têm que esperar 40 dias para serem oficialmente registados pelo Alto-Comissário das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), que oferece um cartão que lhes dá direito às distribuições regulares de alimentos. Até o término desse prazo de 40 dias, eles recebem apenas uma porção de alimentos para dois dias e um recipiente para água de cinco litros. Mas isso não chega. O Programa Mundial de Alimentação (WFP, na sigla em inglês), deve garantir distribuição de alimentos regulares. É necessário que seja feita uma avaliação nutricional em todos os acampamentos de Dadaab. Crianças com até 10 anos de idade também devem ser incluídas no programa. Assim, poderemos confirmar as taxas de desnutrição em crianças mais velhas e adequar os programas nutricionais.

Em algumas áreas de acampamentos temporários nos arredores de Dagahaley descobriu-se que alguns refugiados não recebiam sequer três litros de água por dia. Sendo essa a quantidade mínima padrão para pessoas que vivem em climas quentes, mas não é o suficiente para a higiene básica. O aumento do fornecimento de água é necessário.

Atendimentos estão a ser ampliados

A pressão cresce no hospital de Dagahaley. Mais de 1.600 crianças com desnutrição aguda severa estão a receber tratamento nos ambulatórios e mais de 700 mil novas admissões estão a ser realizadas semanalmente em programas complementares. A maioria é encaminhada para postos de saúde recentemente inaugurados e localizados nos arredores dos acampamentos, onde ficam os recém-chegados.

PCI reitera a necessidade de todas as organizações que trabalham na região a expandirem as suas actividades para prestar assistência adequada aos refugiados. Isso inclui tanto oferecer assistência imediata nas áreas de fronteiras como encontrar soluções para a situação.

Fonte:ACNUR